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ICJ/UFPA

Recontando Histórias: 1ª Diretora Negra da FAD, Maria da Conceição Sousa Fernandes

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A edição de estreia relembra a 1a diretora negra da FAD, Maria da Conceição Sousa Fernandes (2002-2006)

No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, o Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ) da UFPA lança o projeto "Recontando Histórias", que vai reavivar fatos e personalidades que marcaram a trajetória da instituição em quase 120 anos de um dos cursos de Direito mais antigos do Brasil. A primeira e única diretora negra da Faculdade de Direito (FAD) até os dias atuais, Maria da Conceição Sousa Fernandes, hoje com 73 anos, irá abrir o álbum do projeto memorial neste mês março.

Natural de Santarém, município do Baixo Amazonas, Maria da Conceição mudou-se para Belém para cursar Direito, realizando um sonho que trazia da infância. Foi a primeira pessoa da família a se formar em Direito, em 1975. Foi da última turma em que o curso funcionou no antigo casarão da Praça Barão do Rio Branco, no centro de Belém, onde hoje fica a sede da Ordem dos Advogados do Brasil- Seção Pará (OAB-PA).

Ela entrou como professora para a FAD em 1997, aprovada no concurso público para a disciplina Direito Previdenciário, onde trabalhou até 2015. "Antes, fui monitora e foi um trabalho muito bom porque o professor Aderbal Meira Matos me deu a oportunidade de ministrar algumas aulas. Foi uma experiência excelente com os alunos", recorda. Na UFPA, Maria da Conceição coordenou o departamento de Direito Social formado por professores das disciplinas de Direito do Trabalho, Direito Processual do Trabalho e Previdenciário. Logo depois, assumiu um mandato provisório como diretora da Faculdade de Direito e, em seguida, foi eleita para o cargo em votação dos alunos, professores e demais funcionários da instituição.

"Na época, eu tinha consciência de que aquilo era um trabalho de equipe. Foi muito bom porque a colaboração vinha espontânea, dos funcionários e professores, isso me marcou. Ao me aposentar, tive um reconhecimento dos alunos que me marcou. Eles disseram que eu sabia ouvir, isso fechou a minha vivência de trabalho. Eu agradeço muito porque a gente não espera (reconhecimento), mas quando vem é gratificante", destaca.

Desafios por ser Negra e Mulher

Autodeclarada negra, Maria da Conceição não abriu mão de usar o cabelo no estilo "black power". "Nunca alisei o meu cabelo", destaca que tinha orgulho. Descendente direta de negros, índios, espanhóis e nordestinos, ela afirma que no exercício do magistério enfrentou desafios: Uma vez afirma que um professor questionou sua chefia e disse: “quem tem chefe é índio”. Segundo ela: “Talvez se eu fosse branca, tivesse tido maior facilidade. No cotidiano, sendo mulher, falo por mim, encontro dificuldades, mas as dificuldades foram sendo superadas pela persistência, reconhecimento da nossa individualidade, do nosso poder, do nosso ser", descreve.

"Vim de uma família de 11 filhos. Meus pais lutaram muito para nos dar bons colégios. Eu e minhas irmãs fomos educadas para nos profissionalizar, não para casar. Isso nos deu força pra vencer lá fora, não nos deixou submissas (...) Não se pode falar de mulher sem lembrar do machismo estrutural. Quando somos feministas estamos lutando contra uma hegemonia de poder social", destaca.

Casada, mãe de três filhos formados em Música, Maria da Conceição, embora aposentada como professora da UFPA, não abre mão da carreira de advogada militante. "Trabalho nas áreas de Previdência e de Direito do Trabalho. É gratificante chegar até aqui com uma vida produtiva".

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